O Vento da Cruviana: Feminismo, protesto, liberdade.



O vento uivando em sua forma arrepiante, forte e assustadora, ganhando força e derrubando tudo por onde passa. É a partir desta narrativa que a peça O vento da Cruviana, em cartaz no Espaço Xisto Bahia, localizado no bairro dos Barris, conta ao público a história de uma avó e uma neta, lutando para sobreviver à mais terrível ameaça de suas vidas: para a neta, o mundo dos homens e para a avó, o vento, que a deseja levar de qualquer forma.

O Vento da Cruviana faz parte do projeto Afinações é desenvolvida pelo grupo teatral Finos Trapos, que comemora 13 anos de existência. A peça, apoiada pelo Fundo de Cultura, fica em cartaz até o dia 30 de abril com preços acessíveis à população. Às quintas-feiras, 19h, com entrada franca e às sextas-feiras e sábados, com a entrada a  R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia), 

O finos trapos desenvolve também a mostra Varal de Memórias, em exposição até o dia 7 de maio no Xisto. 


Mais do que uma história sobre família, contando a vida de avó e neta no sertão baiano, a peça trata-se de liberdade, feminismo e protesto. A exploração sexual é abordada como forma de sobrevivência, mas também como uma pressão social familiar, um abuso resultante não só da falta de dinheiro, vem da necessidade de manter-se em controle sobre o destino dessa mulher.

A avó, uma senhora que reproduz discursos machista,  defende a família tradicional, repudia a mulher que engravidou de seu filho e acolhe a neta de má vontade. Em todos os momentos da peça a jovem busca uma compreensão sobre sua história e se sujeita a todos os mandos e desmandos da avó, chegando a achar que deve à avó o fato de ter morado com ela a vida toda e, sob pressão, resolve pagar.


O vento surge na história como a liberdade, enquanto para a avó é algo que pode destruí-la, para a neta é a libertação, uma forma pura de sair da vida que leva e que tanto desgosta. O vento, nesse caso, tido como o feminismo, a avó com o patriarcado (machista, sexista...) e a menina com a mulher prestes a se libertar.

A história tem um roteiro forte e que sustenta todas as ações, um cenário que remete à história e a atuação é o que faz dessa peça ser comovente, apaixonante e reflexiva.





O quê ? Peça O vento da Cruviana
Quando e Quanto ? quinta-feira, às 19h, gratuito. Sexta e sábado, R$ 10 (inteira) e R$ (meia)
Onde ? Espaço Xisto Bahia - Rua General Labatut, n°27, Barris (em anexo à Biblioteca dos Barris), Salvador, Bahia.
Redes Sociais ? Facebook e Site
O Vento da Cruviana: Feminismo, protesto, liberdade. O Vento da Cruviana: Feminismo, protesto, liberdade. Reviewed by A escritora sonhadora on 22:17 Rating: 5

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